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	<title>psicanalise &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/psicanalise/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "psicanalise"</description>
	<pubDate>Tue, 14 Oct 2008 10:21:19 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

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<title><![CDATA[Óidipous, filho de Laios - transcriação e direção de A. Quinet ]]></title>
<link>http://pontolacaniano.wordpress.com/?p=561</link>
<pubDate>Mon, 13 Oct 2008 21:27:42 +0000</pubDate>
<dc:creator>Flávia Albuquerque</dc:creator>
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<description><![CDATA[
clique na imagem para ampliá-la
]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://pontolacaniano.wordpress.com/files/2008/10/oidipous.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-562" title="oidipous" src="http://pontolacaniano.wordpress.com/files/2008/10/oidipous.jpg?w=500" alt="" width="500" height="294" /></a></p>
<p style="text-align:center;"><strong>clique na imagem para ampliá-la</strong></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Caos calmo, um estudo sobre o luto]]></title>
<link>http://pontolacaniano.wordpress.com/?p=556</link>
<pubDate>Sun, 12 Oct 2008 13:33:08 +0000</pubDate>
<dc:creator>Flávia Albuquerque</dc:creator>
<guid>http://pontolacaniano.es.wordpress.com/2008/10/12/caos-calmo-um-estudo-sobre-o-luto/</guid>
<description><![CDATA[Filme italiano tem Nanni Moretti no papel principal, o de um viúvo que passa a se ocupar inteiramen]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://pontolacaniano.files.wordpress.com/2008/10/nannimoretti.jpg"></a><a href="http://pontolacaniano.files.wordpress.com/2008/10/nannimoretti2.jpg"><img class="size-full wp-image-558 aligncenter" title="nannimoretti2" src="http://pontolacaniano.wordpress.com/files/2008/10/nannimoretti2.jpg" alt="" /></a>Filme italiano tem Nanni Moretti no papel principal, o de um viúvo que passa a se ocupar inteiramente de sua filha pequena</p>
<p>Crítica Luiz Zanin Oricchi<a href="http://pontolacaniano.files.wordpress.com/2008/10/nannimoretti2.jpg"></a>o</p>
<p>O título - Caos Calmo - evoca uma possível contradição. Como pode um caos ser calmo? De que maneira estabelecer serenidade em uma situação de desordem? O filme, baseado no romance homônimo de Sandro Veronesi, tenta mostrar que não existe tanta incompatibilidade assim entre esse substantivo e esse adjetivo, e que uma estranha calma pode ser uma reação possível a uma situação caótica.</p>
<p>É bom que se diga, de entrada, que o filme, dirigido por Antonio Luigi Grimaldi, segura-se muito na interpretação de Nanni Moretti - aqui num papel dramático, mas sempre, segundo sua tendência, com algumas linhas de humor na costura final. Ele faz Pietro, executivo que, um dia, salva uma mulher que estava se afogando numa praia (Isabella Ferrari). Acontece que, enquanto Pietro praticava a sua boa ação, longe dali, a sua própria esposa morria, diante da filha, de um mal súbito. Quando volta à casa de veraneio onde a família passava férias, Pietro a encontra caída no chão, a filha inconsolável. Como resultado, Pietro deve administrar um luto bastante imprevisto em casal relativamente jovem e tem de assumir a responsabilidade paterna junto à filha em tempo integral.</p>
<p>Essa é a maior situação de estranheza, e que dá força à história. Pietro deseja tornar-se tão próximo da filha que praticamente abandona o trabalho, passa a levá-la à escola e fica à sua espera sentado num banco em frente do colégio.</p>
<p>Boa parte do filme se desenrola nesse ambiente - na pracinha defronte à escola, onde Nanni trava conhecimento com o vendedor de jornais, com a garota bonita que passeia com o cachorro, com o dono do restaurante onde faz as refeições, etc. Cria-se uma microssociedade. É lá também onde vão encontrá-lo as pessoas que têm assuntos a tratar com ele - sua cunhada (Valeria Golino), com quem teve um caso no passado, colegas da multinacional onde trabalha, e até o poderoso chefão da empresa, uma ponta de Roman Polanski.</p>
<p>Não se pode negar que o filme tenha qualidades. Consegue certa intensidade emocional nesse singular trabalho de luto a que se submete o personagem. Pois é bem disso que se trata, afinal. Pietro está traumatizado pela morte da esposa e sua vida entra em colapso; ao mesmo tempo, procura controlar-se, não demonstrar sentimentos, na esperança de que assim livre a filha de sofrimento. Em meio a essa salada de sentimentos, procura dar uma ordenação à vida. Na verdade, busca uma ordem total, na forma de dedicação integral à criança. Controla-se para que ela não sofra com a perda da mãe. Sem perceber que, sem o sofrimento, também o trabalho de luto, de que falava Freud, não pode ser realizado.</p>
<p>O luto comporta uma certa expiação, mesmo uma determinada culpa, por irracional que ela seja. Por exemplo, a garota Claudia (Blu di Martino) reprova o pai porque ele não estava em casa no momento em que a mãe passa mal, e termina morrendo. Ora, Pietro estava na praia, ali perto, em companhia do irmão (Alessandro Gassman) e, inclusive, salvava uma vida. Era algo assim: uma vida pela outra. Só que Pietro resgatava a vida de uma estranha e não de sua mulher e mãe de sua filha. Tudo isso é irracional, mas as culpas desse tipo também não são racionais. Quem for buscar a "lógica" da história terá de levar esses fatos em consideração. Não somos seres racionais. Pelo menos não inteiramente. Pietro é um exemplo disso. E tenta administrar a subversão interna que experimenta com um máximo de controle. Tenta conter o caos e manter-se calmo.</p>
<p>É pena que essa proposta inteligente sirva-se, muitas vezes, de situações próximas ao melodrama para, supostamente, tornar-se mais intensa ou emotiva. O filme poderia dispensar-se desses recursos. E orientar-se pela intuição de Nanni Moretti para esse tipo de coisa, mesclando mais humor e discrição aos tons pesados do enredo. Acontece que, nesse caso, Nanni era o ator e não o diretor.</p>
<p><strong>Caos Calmo (Itália/ 2008, 112 min.) - Drama. Direção Antonello Grimaldi. 12 anos.</strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p style="text-align:right;"><strong>FONTE: estadao.com.br</strong></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sonhos: "Teatro do inconsciente"]]></title>
<link>http://pontolacaniano.wordpress.com/?p=554</link>
<pubDate>Sun, 12 Oct 2008 13:21:59 +0000</pubDate>
<dc:creator>Flávia Albuquerque</dc:creator>
<guid>http://pontolacaniano.es.wordpress.com/2008/10/12/sonhos-teatro-do-inconsciente/</guid>
<description><![CDATA[Edázima Aidar
Constitui o estudo dos sonhos um dos mais interessantes para o leigo e dos mais impor]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Edázima Aidar</p>
<p></strong>Constitui o estudo dos sonhos um dos mais interessantes para o leigo e dos mais importantes para o psicanalista.</p>
<p>Desbravar esse campo foi uma das mais notáveis realizações de Freud. Esta, por si só, já lhe bastaria para evidenciar sua genialidade. A obra "A Interpretação dos Sonhos", escrita no ano de 1900, mostra um aspecto da generosidade da personalidade de Freud, visto que ela se constitui, em grande parte, de uma seleção de sua auto-análise.</p>
<p>Freud mostrava-se satisfeito em comprovar que ninguém tivera a noção de que os sonhos eram uma realização de desejos e até chegou a afirmar: "Esta é a mais sensacional descoberta que tive a sorte de realizar".</p>
<p>Sem dúvida, é seu trabalho mais original, e as conclusões a que ele chega são fundamentais e inteiramente novas e inéditas.</p>
<p>Segundo o consenso geral - " A Interpretação dos Sonhos" é a obra-prima de Freud - aquela por que seu nome será provavelmente mais duradouramente lembrado.</p>
<p>Enfim, o que Freud na verdade descobriu? Descobriu que o desejo no sonho aparece, porém camuflado. Também foi o pioneiro em verificar que o conteúdo da maior parte dos sonhos é novelesco e teatral e que os sonhos têm tudo a ver com o teatro, já que em ambos há máscara, personagens, disfarces, fantasias.</p>
<p>Já abordei em outro artigo, mas nunca é demais repetir, que os sonhos revelam o que está oculto, porém de forma disfarçada, visto que, se as verdades que queremos esconder até de nós mesmos aparecessem de forma muito clara, poderíamos nos sentir incomodados.</p>
<p>No teatro do sonho, nós somos o autor, o ator e a platéia (em muitos de nossos sonhos aparecemos simplesmente como meros espectadores).</p>
<p>Mesmo quando colocamos em cena outros personagens, eles todos nos representam, uns mais outros menos.</p>
<p>Somos nós quem distribuímos as falas, as ações, fazemos o suspense e preparamos o desfecho.</p>
<p>O sonho é criação artística do sonhador, e esse fato faz de todos nós artistas, na medida em que sonhamos.</p>
<p>Os sonhos podem ser descritos como " espetáculos da mente" criando todas as noites um entretenimento que absorve cinqüenta mil horas de uma vida média.</p>
<p>Nossos conflitos não resolvidos marcam presença neles através da encenação dos figurantes, que vão revelar palavras não ditas, desejos não admitidos, sentimentos não reconhecidos ou apenas desconhecidos e emoções sufocadas.</p>
<p>Os sonhos trazem ao nosso conhecimento um imenso elenco de personagens que temos vivido em nosso interior.</p>
<p>É importante descobrirmos as sensações, os humores, a atmosfera que contêm as cenas dos nossos sonhos. Eles podem ser vistos como pano de fundo do cenário principal.</p>
<p>O palco da mente é montado e da mesma forma como uma peça de teatro, às vezes o que sobra é uma sensação, e esta pode ser uma mensagem por si mesma.</p>
<p>Quer percebamos ou não, todos nós somos capazes de resolver nossos problemas de duas formas diferentes, em dois níveis de compreensão.</p>
<p>Quando estamos acordados, usamos o intelecto e a capacidade de raciocínio, mas quando estamos dormindo, quem assume o comando é nosso lado inspirativo, intuitivo e nossa visão simbólica. É a mistura desses dois aspectos que pode nos fornecer respostas originais para nossos problemas.</p>
<p>Na verdade, por incrível que pareça, somos mais sábios e capazes de melhor discernimento quando estamos dormindo do que quando estamos acordados.</p>
<p><strong>Edázima Aidar é psicanalista com Formação em Psicanálise pela Sociedade Campinense de Psicanálise</strong>.</p>
<p> </p>
<p style="text-align:right;">Extraído da <a href="http://www.gazetadepiracicaba.com.br">www.gazetadepiracicaba.com.br</a></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Slavoj Zizek na Bahia]]></title>
<link>http://pontolacaniano.wordpress.com/?p=552</link>
<pubDate>Sun, 12 Oct 2008 11:27:55 +0000</pubDate>
<dc:creator>Flávia Albuquerque</dc:creator>
<guid>http://pontolacaniano.es.wordpress.com/2008/10/12/slavoj-zizek-na-bahia/</guid>
<description><![CDATA[Hoje, domingo, 12 de outubro, o filósofo e psicanalista esloveno Slavoj Zizek realiza a conferênci]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Hoje, domingo, 12 de outubro, o filósofo e psicanalista esloveno Slavoj Zizek realiza a conferência 'O sujeito pós-traumático e a violência: psicanálise, cinema, gozo, ideologia' no Instituto Cultural Brasil - Alemanha (Goethe Institut), às 15:00. O evento é gratuito e os interessados devem chegar com antecdência pois as vagas são limitadas.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Psicanálise - kakolozano@hotmail.com]]></title>
<link>http://kakolozano.wordpress.com/?p=155</link>
<pubDate>Fri, 10 Oct 2008 22:57:37 +0000</pubDate>
<dc:creator>kakolozano</dc:creator>
<guid>http://kakolozano.es.wordpress.com/2008/10/10/psicanalise/</guid>
<description><![CDATA[
ARTIGO 
executivos-estressados
 
 
CLIQUE E ASSISTA A APRESENTAÇÃO ABAIXO
SOBRE O NOSSO CURSO ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><strong></strong></p>
<h2 style="text-align:center;"><span style="text-decoration:underline;"><span style="color:#ff0000;"><span style="color:#ff0000;"><span style="color:#ff0000;"><span style="color:#993300;">ARTIGO </span></span></span></span></span></h2>
<h2 style="text-align:center;"><span style="text-decoration:underline;"><span style="color:#ff0000;"><span style="color:#ff0000;"><a href="http://kakolozano.files.wordpress.com/2008/10/executivos-extressados.ppt">executivos-estressados</a></span></span></span></h2>
<p style="text-align:center;"> </p>
<p style="text-align:center;"> </p>
<h2 style="text-align:center;"><span style="text-decoration:underline;"><span style="color:#ff0000;"><span style="color:#ff0000;"><span style="color:#993300;">CL</span></span><span style="color:#993300;">IQUE E ASSISTA A APRESENTAÇÃO ABAIXO</span></span></span></h2>
<h2 style="text-align:center;"><span style="text-decoration:underline;"><span style="color:#993300;">SOBRE O NOSSO CURSO DE NOVEMBRO</span></span></h2>
<h2 style="text-align:center;"><span style="color:#993300;"><span style="text-decoration:underline;">IMPERDÍVEL</span></span></h2>
<p style="text-align:center;"><a href="http://kakolozano.files.wordpress.com/2008/10/imagem32.jpg"><span style="color:#993300;"><img class="alignnone size-full wp-image-269" title="imagem32" src="http://kakolozano.wordpress.com/files/2008/10/imagem32.jpg" alt="" width="8" height="31" /></span></a></p>
<h3 style="text-align:center;"><a href="http://kakolozano.files.wordpress.com/2008/10/curso1.ppt">CURSO</a></h3>
<p style="text-align:center;"> </p>
<p style="text-align:center;"> </p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#800000;"><span style="text-decoration:underline;"><span style="color:#993300;">VIDEOS YOUTUBE</span></span></span></strong></p>
<p style="text-align:center;">Estamos em fase de edição de novos vídeos de palestras, mensagens corporativas e de auto-conhecimento, entrevistas e apresentações do Programa "Vencer ou Vencer" que vai ao ar pela TVA e NET, através da TV Aberta de São Paulo. Enquanto isso, vale a pena assistir o vídeo abaixo. No meu modo de entender, <span style="text-decoration:underline;">como peça publicitária</span>, possui "ingredientes" de excelência.  </p>
<p style="text-align:center;"> </p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/XXOJ28b6WIo'></param><param name='wmode' value='transparent'></param><embed src='http://www.youtube.com/v/XXOJ28b6WIo&rel=0' type='application/x-shockwave-flash' wmode='transparent' width='425' height='350'></embed></object></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[AS Mudanças]]></title>
<link>http://terapeutavirtual.wordpress.com/?p=54</link>
<pubDate>Thu, 09 Oct 2008 21:59:41 +0000</pubDate>
<dc:creator>terapeutavirtual</dc:creator>
<guid>http://terapeutavirtual.es.wordpress.com/2008/10/09/as-mudancas/</guid>
<description><![CDATA[

Nos primeiros anos de Freud, era uma novidade as viagens de trem e nos novos navios, movidos pela ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class="main">
<div class="snap_preview">
<p><img class="alignleft" title="mundo moderno" src="http://lvfocus.com.sapo.pt/imagens-dig/i-marklin-world.jpg" alt="" width="296" height="267" />Nos primeiros anos de Freud, era uma novidade as viagens de trem e nos novos navios, movidos pela máquina a vapor, de descoberta ainda recente.</p>
<p>As cidades cosmopolitas, como Viena, na Áustria; Paris, na França; Londres, na Inglaterra e Chicago, nos Estados Unidos, apresentavam ainda uma relativa calma, a não ser, obviamente, pelo furor do sistema de fábricas que criou, após o advento da Revolução Industrial, o operariado - a classe laboriosa, surgida desde então.</p>
<p>Houve a invenção do rádio, do telefone , do aeroplano, das novas armas de guerra e, posteriormente, da televisão monocromática (em preto e branco). Novas ideologias havia surgido, como o Marxismo e o Fordismo, entre outras.</p>
<p>Na verdade, as grandes transformações científicas, econômicas, políticas e sociais, ocorridas no final do século XIII e início do século XIX na Europa e nas Américas foram acompanhadas por doutrinas e teorias que buscavam tanto justificar e regular a ordem capitalista burguesa que se estabelecia; de um lado, como condená-la ou reformá-la, de outro. Isso permitiu a estruturação das <em>doutrinas liberais<strong> </strong></em>e das <em>teorias socialistas, </em>respectivamente.</p>
<p>Freud, vivendo numa quadra da história que abarcava todas essas transformações, embora vislumbrasse as mudanças para o futuro, nunca deixou de admitir, entretanto, que sua psicanálise só poderia ser indicada a indivíduos que se adequassem a um perfil psicológico mínimo, em termos de forças do ego, grau de intelectualização e faixa etária.</p>
<p>Esse perfil, evidentemente, privilegiava as classes abastadas e excluía as mais carentes. Isso, sem falar nos custos da análise, que foram se tornando mais altos à medida que a psicanálise obtinha novas descobertas e, consquentemente, o tempo de tratamento aumentava.</p>
<p>Mesmo após a sua morte, em 1939, seus seguidores mais tenazes continuaram a considerar o fator tempo, como fundamental no processo analítico, que passou de meses, no início, a 2, 3, 5, 8 e até 20 anos de duração, quando não, como o próprio Freud havia comentado em um de seus escritos mais conhecidos <em>(A análise terminável e interminável, 1936),</em>  a vida inteira!</p>
<p>Evidentemente essa situação caminhou na contra-mão da História, pois tivemos mudanças rapidíssimas e desestabilizadoras. Basta lembrar que, nos últimos 40 ou 50 anos, as descobertas e invençõe engendradas pelo ser humano suplantaram tudo o que o homem havia descoberto e inventado em toda a História da Humanidade precedente.</p>
<p>Após a 1ª Guerra Mundial (da qual Freud foi testemunha) e as novas reorganizações políticas que conduziram à 2ª Guerra Mundial e, principalmente após esta, o mundo mudou radicalmente.</p>
<p>Hoje, temos as secretárias eletrônicas, os modernos jatos, que dão a volta ao mundo em um dia e meio, os faxes, a informatização das indústrias e dos serviços, os telefones celulares e computadores, cada vez mais potentes e sofisticados; os Ipods, as câmeras digitais, as TV’s de plasma e de LCD; a digitalização das imagens, a engenharia genética, o desvendamento do genoma humano e a famigerada Globalização, com suas vantagens e crises.</p>
<p>Em razão desse novo cenário, a psicanálise, embora sempre tenha o seu lugar como método tradicional, como já foi dito em outra parte deste blog, passou por sérios riscos de tornar-se dinossáurica, não fosse a mente brilhante de alguns homens, sobre os quais ainda teremos a oportunidade de falar.</p>
<p>O que enseja, com percebem, o nascimento das psicoterapias breves.</p>
<p><em><span style="color:#0000ff;">Antônio Tadeu Ayres</span></em></div>
</div>
<div class="navigation"></div>
<p><!-- You can start editing here. --></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Freud e a Psicanálise]]></title>
<link>http://terapeutavirtual.wordpress.com/?p=52</link>
<pubDate>Thu, 09 Oct 2008 21:56:55 +0000</pubDate>
<dc:creator>terapeutavirtual</dc:creator>
<guid>http://terapeutavirtual.es.wordpress.com/2008/10/09/freud-e-a-psicanalise/</guid>
<description><![CDATA[Sigmund Freud
Freud nasceu em Freiberg, pequena cidade da Morávia, na Áustria, em 06 de maio de 18]]></description>
<content:encoded><![CDATA[[caption id="" align="alignleft" width="316" caption="Sigmund Freud"]<img class=" " title="Freud" src="http://www.imagick.org.br/pagmag/turma2/freud.jpg" alt="Sigmund Freud" width="316" height="362" />[/caption]
<p>Freud nasceu em Freiberg, pequena cidade da Morávia, na Áustria, em 06 de maio de 1856. Aos quatro anos de idade, mudou-se com seus pais para Viena, onde morou sempre, até seus últimos anos de vida e de onde teve que sair, fugindo às perseguições de Hitler, para refugiar-se em Londres, na casa de seu discípulo, Ernest Jones, onde faleceu em 23 de setembro de 1939.</p>
<p>Nem é preciso dizer que, ao longo de seus 83 aqnos de vida o próprio Freud, um tenaz pesquisador, desde o início de seu trabalho, ao lado de seus primeiros mestres Breuer, Charcot, entre outros, e o final de sua vida, em Londres, desenvolveu um trabalho intenso de profundidade sempre maior (com muitas idas e vindas, é verdade), mas que acabou por ter uma evolução na linha do tempo.</p>
<p>A psicanálise, então, que começou como um método de tratamento assimilado pelo aristocrático círculo da sociedade vienense foi aos poucos transpondo suas fronteiras e paulatinamente chegando em outros centros do saber, como França, Inglaterra e Estados Unidos, mas continuou a ter a sua matiz burguesa ou aristocrática também nesses centros.</p>
<p>Não há o que contradizer no fato de que Freud iniciou suas pesquisas com o saber típico de sua época, na qual vigiam ainda os ideais iluministas, cuja ideologia havia sido incorporada pela burguesia, a partir das lutas revolucionárias do final do século XIII, e que era representada pela crença na racionalidade.</p>
<p>Além disso, como médico neurologista que era, seu saber também se assentava sobre as descobertas evolucionistas de Charles Darwin, que sem dúvida o fariam pensar de forma similar, em suas teorias, nas</p>
<div class="wp-caption alignright" style="width:181px;"><img title="Charles Darwin" src="http://www.jornallivre.com.br/images_enviadas/-charles-darwin-1809397px-char.jpg" alt="Charles Darwin" width="171" height="258" /></div>
<p class="wp-caption-text">Charles Darwin</p>
<p>quais considerou a condição evolutiva do cérebro humano.</p>
<p>Aliás, o que foi dito acima ajuda a explicar por que Freud teve que enfrentar tantas barreiras. Hoje, é-nos fácil a idéia da existência de processos inconscientes. Mas isso não era assim nas etapas iniciais do desenvolvimento da psicanálise. Na verdade, as idéias freudianas despertaram ferrenha oposição, tanto nos círculos médicos, quanto nos círculos leigos de sua época.</p>
<p>Foi o próprio Freud quem primeiro admitiu que é uma atitude natural humana rejeitar a idéia de que somos dominados por processos que desconhecemos. Na “Conferência Introdutória a Psicanálise”, de 1916, ele mostrou que a espécie humana sofreu três grandes feridas em seu narcisismo.</p>
<p>A primeira foi provocada por Copérnico, quando demonstrou que a Terra não era o centro do Universo. A segunda, por Darwin que, ao definir “A origem das espécies na luta pela vida”, tirou do ao homem a pretensão de ser filho de Deus. E, finalmente, a terceira foi a descoberta do inconsciente, que roubou ao homem o domínio de sua própria vontade.</p>
<p><em><span style="color:#0000ff;">Antônio Tadeu Ayres</span></em></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Psicoterapia Breve Integrada _ Introdução]]></title>
<link>http://terapeutavirtual.wordpress.com/?p=50</link>
<pubDate>Thu, 09 Oct 2008 21:54:25 +0000</pubDate>
<dc:creator>terapeutavirtual</dc:creator>
<guid>http://terapeutavirtual.es.wordpress.com/2008/10/09/psicoterapia-breve-integrada-_-introducao/</guid>
<description><![CDATA[O objetivo deste trabalho  não consiste em toldar ou, de alguma forma, obnubilar a psicanálise, q]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" title="psicoterapia breve" src="http://www.conhecereagir.com.br/Fig/fotofam.jpg" alt="" width="238" height="300" />O objetivo deste trabalho  não consiste em toldar ou, de alguma forma, obnubilar a psicanálise, que, a partir de seu advento revelado pelo seu gênio descobridor e pesquisador (o judeu-austríaco e médico vienense Sigmund Freud); sempre teve, tem e terá o seu campo de aplicação como método tradicional, trazendo, sob a luz da verdade consciente, a saúde emocional, a integração das forças do ego e a liberdade de uma vida harmoniosa a milhares de seres humanos que dela se beneficiam.</p>
<p style="text-align:left;">O nosso intuito, em publicá-lo aqui,portanto, consiste em procurar demonstrar através do que será colocado, não a negação da psicanálise ortodoxa, mas a possibilidade de suas descobertas serem maximizadas e beneficiarem um número incalculável de pessoas que, mesmo não tendo meios econômicos ou os recursos intelectuais preconizados para um tratamento psicanalítico tradicional; necessitam, têm o direito e não podem ficar à margem de seus benefícios, pois são seres humanos completos, apenas doentes em seu psiquismo e, por isso mesmo devem se beneficiar das descobertas psicanalíticas, assim como se beneficiam de tratamentos cirúrgicos, quando esses lhes são indicados.</p>
<p style="text-align:left;">Isso posto, como propostas do presente trabalho, alinhavamos os três ítens que se seguem:</p>
<ol>
<li>
<div style="text-align:left;">Tomando como ponto de partida as extraordinárias mudanças sociais, políticas, tecnológicas, científicas e sociais ocorridas nas última décadas do último século e primeira década do presente século; demonstrar os entraves existentes para a aplicação da psicanálise tradicional (para todos) na atualidade.</div>
</li>
<li>
<div style="text-align:left;">Traçando um paralelo entre as referidas mudanças (tendo-as sempre como pano de fundo), e as novas contribuições ocorridas na psicanálise, demonstrar o surgimento das chamadas <em>psicoterpias breves psicanalíticas, </em>como resultado dessas modificações históricas.</div>
</li>
<li>Considerando a progressiva e positiva ampliação da visão de homem-paciente como um ser que deve ser tratado como um todo (holisticamente) reiterar a possibilidade da <em>psicoterapia breve de orientação psicanalítica</em>, como um instrumento extremamente adequado para o tratamento mais indicado de um grande contingente de pessoas no início deste início de século- milênio.</li>
</ol>
<p><em><span style="color:#0000ff;">Antônio Tadeu Ayres</span></em></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Esquizofrenia - desmistificando o tratamento]]></title>
<link>http://terapeutavirtual.wordpress.com/?p=48</link>
<pubDate>Thu, 09 Oct 2008 21:50:53 +0000</pubDate>
<dc:creator>terapeutavirtual</dc:creator>
<guid>http://terapeutavirtual.es.wordpress.com/2008/10/09/esquizofrenia-desmistificando-o-tratamento/</guid>
<description><![CDATA[esquizofrenia
Lembro-me de que, quando rescém formado, há pouco tempo clinicando, procurou-me um p]]></description>
<content:encoded><![CDATA[[caption id="" align="alignleft" width="380" caption="esquizofrenia"]<img class=" " title="esquizofrenia" src="http://www.hollywoodjesus.com/movie/beautiful_mind/27.jpg" alt="esquizofrenia" width="380" height="262" />[/caption]
<p>Lembro-me de que, quando rescém formado, há pouco tempo clinicando, procurou-me um paciente esquizofrênico, com um histórico que chegou a me intimidar. No entanto, como ele vinha recomendado pela sua psiquiatra e estava devidamente medicado, resolvi aceitar o desafio.</p>
<p>Confesso que não foi fácil as sessões que se seguiram, devido às idas e vindas apresentadas por ele, no sentido de estar muito bem numa semana; e completamente mal, na outra.</p>
<p>Liguei para a sua psiquiatra, que, atenciosamente, passou-me todas as informações a respeito das medicações que ele utilizava e da oportunidade que ela via em melhorar o seu prognóstico, com uma psicoterapia complementar (não importanto fosse ela de caráter psicanalítico ou não), pois seu objetivo era tão somente a melhoria da qualidade de vida do paciente.</p>
<p>Foi quando resolvi entrar em contato com o meu ex-professor e supervisor, no Rio de Janeiro. Sua recomendação foi peremptória: “Abandone imediatamente esse caso” - “Seu paciente precisa de um psiquiatra. Não de tratamento psicanalítico”.</p>
<p>Segui a recomentação do mestre.</p>
<p>No entanto, confesso que, a despeito de problemas em relação à oportunidade de estabelecer ou não uma relação transferencial com um paciente desse tipo; talvez, se a situação estivesse ocorrendo hoje, não agiria do mesmo modo.</p>
<p>Tenho tido contato com esquizofrênicos brilhantes, casados, pais de família e produtivos no trabalho, fato que me faz lembrar uma vez mais da necessidade de psicólogos e psicanalistas não desprezarem mais a importância de um tratamento integrado entre a psicoterapia e a psiquiatria, exatamente por causa do moderno arsenal de psicofármacos hoje à disposição de quem lida com saúde mental.</p>
<p>O mito de que as psicoses são assunto exclusivo dos psiquiatras deve cair por terra. E são eles mesmos os primeiros a sugerirem a adoção de um tratamento multidisciplinar que não dispensa, de modo algum as psicoterapias, para esses pacientes.</p>
<p>Levando-se em conta o alto índice de ex-pacientes institucionais desinstitucionalizados e tendo uma vida saudável por conta da eficácia desse novo arsenal, imagino que esse fato deveria fazer-nos repensar responsavelmente sobre o assunto.</p>
<p>E desmistificá-lo de vez.</p>
<p><em>Antônio Tadeu Ayres</em></p>
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]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Herança de sangue: a projeção memética em Esaú e Jacó]]></title>
<link>http://rafnir.wordpress.com/?p=293</link>
<pubDate>Thu, 09 Oct 2008 21:01:18 +0000</pubDate>
<dc:creator>rafnir</dc:creator>
<guid>http://rafnir.es.wordpress.com/2008/10/09/heranca-de-sangue-esau-e-jaco/</guid>
<description><![CDATA[Ao longo da narrativa deste romance machadiano (o penúltimo a ser escrito antes da morte do autor),]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Ao longo da narrativa deste romance machadiano (o penúltimo a ser escrito antes da morte do autor), <strong>Esaú e Jacó</strong> exala um odor de coisa abortada, de algo que não amadureceu inteiramente, que cresceu apenas para murchar, sem que as necessárias floração e frutificação tenham-se dado. Há uma incompletude, uma insatisfação, algo que fica suspenso e não cai como devia. Um desconforto e estranheza, que se ficam na periferia da mente do autor, ainda exercem influência sobre a sua leitura – e suas diversas interpretações da obra.</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Fato é que, este desconforto e esta estranheza, podem ser explicados pelo efeito psicológico, afetivo e estético decorrente da trama, que mostra como os gêmeos Pedro e Paulo não se constituíram como sujeitos, permanecendo submetidos ao desejo da mãe, nele alienados, impossibilitados de se assenhorearem de seus próprios desejos. Mesmo que a mãe dos gêmeos, por breves (mas vitais) instantes da narrativa, tenha repudiado o fato de que estaria grávida, rejeitando, de certa forma, a maternidade.</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Em seu início, vamos ver que, ao saber da gravidez, que ocorre 10 anos após o casamento, ao contrário do marido Santos, que ficou feliz, Natividade – curioso nome que remete diretamente à maternidade, à função materna – não demonstra nenhuma alegria. Pelo contrário, achava que a criança vinha deformá-la por meses, obrigá-la a recolher-se, pedir-lhe as noites, adoecer dos dentes e do resto. Enfim, o suplício que os filhos em criação sempre trazem aos pais: essa foi sua primeira sensação, e o primeiro ímpeto foi esmagar o germe e criar raiva do marido. Somente num momento posterior, Natividade acabou reconciliando-se com seu estado, e conformada com a nova natureza que assumiria (a maternal), espera pelo nascimento do filho – no caso, dos gêmeos. Santos, por sua vez, se alegrava com a chegada desta criatura tirada da coxa de Abraão, outra curiosa referência bíblica ao fato de Abraão e Sara terem gerado o filho Isaac já velhos, estabelecendo assim um paralelo entre o casal bíblico e o casal machadiano.</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Mas, na verdade, a demora em engravidar, de dez anos, pode ser entendida como sintomática, mostrando a relutância de Natividade em assumir a maternidade, relutância que se explicita sem mais demora no desejo de abortar, de esmagar o germe, destruir o filho, no asco que sente (momentaneamente) pela semente que cresce em seu ventre.</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Os pais ficam surpresos com a chegada de gêmeos, mas logo se acostumam e ficam imaginando o que seriam no futuro. A mãe determina que um será médico e o outro advogado, mas seguramente serão grandes homens. Quando as crianças já estavam com mais de um ano, Natividade soube, através das criadas, da existência da Cabocla do Castelo, uma advinha à qual sente imperiosa necessidade de consultar, pois velhas idéias que lhe incutiram em criança vinham agora emergindo do cérebro e descendo ao coração. </span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Vai à vidente e esta lhe pergunta se os filhos tinham brigado antes de nascer, no ventre materno. Natividade, que não tivera a gestação sossegada, respondeu que efetivamente sentira movimentos extraordinários e repetidos, dores, insônias… E adota imediatamente a interpretação da advinha, incorporando-a como verdade, assim como sua relutante afirmação de que os gêmeos fariam grandes coisas futuras, coisas bonitas, afirmando que seriam gloriosos. </span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Tais profecias serão posteriormente confirmadas por um sábio espírita amigo do pai, selando assim a sorte dos gêmeos: <em>Teste David cum Sybilla</em> – o segundo verso do hino litúrgico <em>Dies Irae</em>, de natureza escatológica: prega o Dia do Juízo, ou Fim do Mundo, e como este fora predito por Davi e Sibila (o famoso rei judeu, criador de vários salmos, e a profetiza da mitologia grega). Podemos ver, desta forma, a verdadeira predição que a personagem fizera dos gêmeos ao orgulhoso pai – e que se mostra absoluta e inescapável, como geralmente estas predições se revelam.</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Antes de tudo, podemos ver a relutância de Natividade em ter um filho e seu desejo em matá-lo. Depois do parto, vendo as crianças, somos informados que velhas idéias vindas da infância começam a atormentá-la, o que a levam a querer adivinhar o futuro dos filhos. Tais velhas idéias parecem indicar a regressão a padrões infantis sofrida por Natividade durante o pós-parto. A preocupação (constante em toda a obra) com o futuro grandioso dos filhos parece ser uma supercompensação obsessiva, uma formação reativa frente a seus desejos assassinos contra os filhos – se eles são gloriosos, ela (a mãe) não os danificou. Por outro lado, se são eles os que brigam no seu ventre, coisa que <em>a posteriori</em> passa a acreditar, ficam eles como os portadores da agressividade, livrando-a (a mãe) do pesado ônus de carregá-la, e sobrecarregando os gêmeos com este fardo, marcando-os indelevelmente. Para a mãe, assim, é necessário que os filhos sejam gloriosos como uma confirmação auto-narcísica e expiatória, que restaure antigas feridas infantis, que retornaram nas velhas idéias já mencionadas.</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Vemos como a fantasia da mãe (e do pai) envolve os filhos desde o momento da concepção e até mesmo muito antes dela, como quando se fala das velhas idéias da mãe enquanto menina. E esta mesma fantasia, germinada do instinto homicida materno (que deveria prezar pela segurança de sua cria, não sua obliteração) irá selar amargamente os destinos destes gêmeos.</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">É interessante notar como é freqüente nos mitos e nas histórias de fadas, a presença de profecias em relação aos futuros filhos e ao futuro destes mesmos filhos. A tragédia de Édipo, sabemos, decorre de uma profecia feita a Laio e Jocasta pelo oráculo de Delfos, que lhes avisa que darão luz a uma criança que matará o pai. Isso faz com que Laio e Jocasta planejem o assassinato do filho, abandonando-o nas montanhas para que morra.</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">As profecias que anunciam o filho como um futuro assassino do pai já aparecem nos mitos gregos mais antigos, como no primeiro casal Céu e Terra, pais dos titãs e dos ciclopes. Céu detestava os filhos e quando eles nasciam os escondia no seio da Terra, condenando-os a viver ali para sempre. Terra se revolta contra esse comportamento e incita os filhos a se insurgirem contra o pai. Os jovens titãs não aceitam tal conclamação, exceto Saturno, que castra o pai jogando seus testículos ao mar. Saturno, ao se casar com a titânia Cibele, recebe a profecia de que seria destronado por um de seus filhos. Por este motivo, os devora à medida que nascem. Entretanto, ao nascer Júpiter, Cibele o esconde e dá ao marido uma pedra, que ele engole pensando ser o recém-nascido. Júpiter escapa e mais tarde dá ao pai uma poção que o faz vomitar os filhos engolidos anteriormente. Por dez anos Júpiter e Saturno lutam, até o primeiro ser o vencedor. Também Júpiter, então casado com Métis, recebe a profecia de que seria destronado por um filho, o que o faz engolir sua consorte.</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Estes (e outros exemplos em outras literaturas) mostram como o fenômeno da projeção se faz presente e constante no momento da concepção: o oráculo, através da sua profecia, sela o destino da criança que advirá, destino este consumado por seus pais (como no caso de Édipo). Tais profecias são reveladoras da fantasia dos pais, projetada nos oráculos que a veiculam. Como podemos afirmar serem verdadeiras estas profecias, se é a sua própria existência que garante sua veracidade? Este, para os gregos, é o conceito da <em>Nêmese</em>: não se pode escapar do próprio destino, haja o que houver. Mas e quando este destino é gerado de uma premonição que é, no mínimo, fantástica?</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Esta fantasia, ligada às estruturas narcísicas e edipianas dos pais, mostra a regressão neles provocada pela fecundação e gestação de um filho. Elas podem atingir uma intensidade crítica com o nascimento do filho, o que fez Carel denominar tal momento de “traumatose perinatal”. Do ponto de vista teórico, na hora em que o complexo de Édipo dos pais se confunde com o dos filhos – ou seja, na hora em que o pai e a mãe não conseguem exercer suas funções materna e paterna. No momento em que está nascendo uma criança, o corpo físico dos pais está no auge, a vida adulta está em pleno vigor. Mas curiosamente é um momento psíquico frágil, porque os filhos fazem os pais permanentemente atualizarem o seu passado. E se você não tiver essa vida bem resolvida, vai projetar maciçamente muitas coisas no seu filho – o que o casal Natividade e Santos, definitivamente, fazem aos gêmeos Pedro e Paulo.</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Isso mostra o descompasso entre o somático e o psíquico, dá provas de que a plena maturidade fisiológica do corpo, condição da procriação, independe da maturidade psíquica, pois não é raro que justamente nestes momentos se exponha a fragilidade emocional dos pais, que mergulham em fortes movimentos regressivos. E a fragilidade dos pais, na maioria das vezes, é a ruína dos filhos – e neste romance não é diferente.</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">O poder determinante da fantasia parental é constituinte e estruturante do psiquismo do filho. No caso de Édipo, antes de ser engendrado, os pais já o viam como a um assassino e isso terminou por se realizar. No caso de Pedro e Paulo, igualmente depositários da agressividade da mãe, serão eternos inimigos em luta. Também depositários do narcisismo materno, estarão sempre querendo ser os “grandes homens”, fazer “grandes coisas” – e aqui voltamos ao princípio da Nêmese, ou como seria mais sensato afirmar, da <em>projeção memética </em>dos pais nos filhos, e a resposta psicológica desastrosa que estes oferecem. O termo advém da definição de Richard Dawkins, escritor evolucionista, cunhou em seu livro <strong>O Gene Egoísta</strong>: o <em>meme</em>, como sendo a unidade mínima da memória (como os genes o são na genética), e a <em>memética</em> enquanto área de atuação do meme, tanto social como protociência de sua própria natureza, espécie de agente multiplicador no campo informacional e cultural.</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Tendo em mente este conceito, podemos afirmar que </span><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Édipo, Pedro e Paulo, estão todos alienados no desejo dos seus respectivos pais e mães, impossibilitados de se constituírem inteiramente como sujeitos desejantes, sabedores e conhecedores de seus próprios desejos. Seu destino é selado pela vontade dos pais, que foi direcionada pelas profecias acerca dos filhos. Os oráculos projetam a “vontade divina” nos pais, que a projeta (desde antes do nascimento) em seus filhos.</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Essa alienação estrutural no desejo do outro (em especial no caso da mãe), pode ser exemplificada nas interpretações que Lacan faz de Hamlet e Antígona. Sabemos que a conhecida interpretação freudiana sobre a hesitação que impede Hamlet de matar Cláudio, como o fantasma do pai o exige, é estar ele edipianamente identificado com o assassino. Também ele, na fantasia infantil, teria matado o pai para se apoderar do amor de Gertrude, portanto não se sente moralmente autorizado para julgar alguém que fez o que ele gostaria de ter feito. Lacan mostra um ângulo mais primitivo do impedimento de Hamlet: se o fantasma do pai só acusa quem o matou, Hamlet não esquece que a mãe foi cúmplice do assassino do pai, ela ativamente participou do crime. Ou seja, ela o desejava e o realizou. Hamlet, identificado com o desejo mãe, o assume temporariamente como seu, ficando por isso paralisado. Só mais tarde estará livre para ter seu próprio desejo, com trágicas conseqüências. </span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">O mesmo se dá com Antígona: Lacan mostra como Antígona está totalmente perdida no desejo criminoso da mãe Jocasta, o que imbui nela própria o desejo de ser criminosa. A disposição em dar um enterro honrado para o irmão seria mera racionalização de um desejo mais recôndito, inconsciente – fruto da projeção realizada (neste caso, indiretamente) pelas ações da mãe. </span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Outro exemplo da importância do desejo materno e paterno no futuro dos filhos é o sugerido pelo próprio Machado de Assis ao dar o nome <strong>Esaú e Jacó</strong> ao seu livro. Vemos no episódio bíblico que, antes do nascimento dos dois, acontece uma profecia divina assegurando que os gêmeos comandarão duas nações diferentes, e que o mais velho servirá ao mais novo. Os dois teriam brigado no ventre materno. Jacó teria segurado o tornozelo de Esaú no momento da concepção, tentando ser o primogênito. A mãe, Raquel, claramente prefere Jacó, e isso a leva a enganar o marido Isaac, pai das crianças, fazendo-o dar a benção ritual ao segundo e não ao primeiro filho. Ao ser indagada, diz ter seguido o desejo de Deus. Sabemos que antes da benção ritual, Esaú, peludo e ruivo, caçador, imediatista, tinha vendido seus direitos de primogenitura por um prato de lentilhas, que o caseiro Jacó, calculista e subversivo, cozinhava.</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">A fraude perpetrada por Raquel e Jacó tem conseqüências desastrosas. Este, para escapar ao ódio de Esaú, foge para outra nação, onde fica por vinte anos, com o tio Labão. Raquel morre sem voltar a ver o filho predileto. A interpretação judaica é que todos sofrem por terem desobedecido a Deus. Esaú também sofre por desprezar a primogenitura, vendê-la e depois requisitá-la. Isaac pela cegueira em amar demais Esaú e não querer obedecer ao desejo de Deus expresso na profecia. Raquel e Jacó, por não acreditarem no poder divino e terem achado necessário ajudá-lo com artifícios desonestos. </span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">A história (bíblica) de Esaú e Jacó é interessante na medida em que mostra toda uma dinâmica conflituosa própria das famílias, dos complexos relacionamentos entre pais e filhos, com amores e ódios, mentiras, traições, alianças, preferências, vinganças, ameaças de morte, ciúmes, e todo o mais.</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">A importância do desejo parental na organização do psiquismo dos filhos tem diversas formulações teóricas, a começar com Freud ao descrever o narcisismo dos pais, desdobrando-se nas elaborações lacanianas em torno do “Outro”, passando pelo contrato narcisista de Piera Aulagnier, pela teoria da sedução generalizada de Laplanche, pelos roteiros narcísicos dos pais de Manzano, Espasa e Zilkha, dentre outros estudiosos.</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Estas teorias formam uma vertente teórica que permite postular uma terapia familiar propriamente psicanalítica, levando ao estudo da transmissão psíquica transgeracional (“objeto transgeracional”), tal como teorizado por Kaës:</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">“O desenvolvimento das pesquisas sobre a transmissão da vida psíquica a partir de novos dispositivos psicanalíticos implicam em um novo modelo de inteligibilidade da formação dos aparelhos psíquicos e de sua articulação entre os sujeitos do inconsciente. Essas pesquisas criticam as concepções estritamente intradeterminadas das formações do aparelho psíquico e as representações solipsistas do indivíduo. Os trabalhos psicanalíticos sobre o grupal nos encorajam a integrar, no campo da psicanálise, todas as conseqüências teórico-metodológicas que derivam do levar em consideração a exigência do trabalho psíquico que impõe à psique sua inscrição na geração e na intersubjetividade”.</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Neste sentido, Olga Correa salienta a relevância dos trabalhos de Abraham e Torok, que introduziram importantes conceitos operacionais como os segredos de família que atravessam gerações (clínica do fantasma ou assombração), o luto impossível por uma pessoa significativa (o que o torna patológico), a identificação secreta com outro (fantasma de incorporação) e o enterro intrapsíquico de uma vivência vergonhosa e indizível (cripta).</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Ainda falando sobre família, mas agora voltando a Machado de Assis, Schil examina as diversas configurações familiares em sua obra e aponta algumas intuições machadianas que antecipam descobertas de Freud, tal como a importância das experiências infantis como determinantes na estruturação do sujeito, evidenciada no título de um capítulo do <strong>Memórias Póstumas de Brás Cubas</strong>, “O menino é pai do homem”. Cita também um trabalho de Leme e Lopes que descreve a sintomatologia paranóide de Bentinho, em <strong>Dom Casmurro</strong>, e a refere à dinâmica de uma família carente de figuras paternas com as quais pudesse se identificar. Schil discorda de Afrânio Coutinho, para quem, na obra de Machado, “não há nada na vida familiar de que os membros possam se orgulhar; o egoísmo é a força diretora e as mulheres são geralmente estéreis, sem desejos nem aptidões maternais; os filhos nascem para sofrer e causar aos pais tormentos, tristezas e aborrecimentos”.</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Retomando os gêmeos de <strong>Esaú e Jacó</strong>, vamos vê-los crescendo na luta e na ambição, até se apaixonarem por Flora. Como sabemos, Flora morre sem escolher nenhum dos dois e os deixa sem muita disposição e garra, de volta aos braços da mãe, que vivia agora enamorada dos filhos; levava-os a toda parte, ou guardava-os para si, a fim de gostá-los mais deliciosamente, de aprová-los por atos, de auxiliar a obra corretiva do tempo. Abandonam as profissões escolhidas, onde não se sobressaíram como esperado pela mãe, e são ambos eleitos deputados. Até a morte, a mãe espera grandes coisas. Natividade não confessava, mas a ciência já não lhe bastava: a glória científica parecia-lhe comparativamente obscura; era calada, de gabinete, entendida por poucos. Política não. Para um cético Conselheiro Aires, disse: “Talvez já pensem na presidência da república”. </span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">E o livro acaba assim, abruptamente, dando a impressão de inacabado, de não concluído, como se algo não tomasse forma definida e completa, não se configurasse, não se constituísse. Pedro e Paulo não casaram, nada indica que venham a ser grandes homens no futuro. Não “floriram”, não desabrocharam plenamente. </span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Isso causa no leitor desconforto e perplexidade, um estranhamento diante do vazio. O sentimento despertado no leitor decorre da não constituição de Pedro e Paulo enquanto sujeitos. Assujeitados ao desejo da mãe, jamais puderam ter acesso a seus próprios desejos, fadados à alienação e ao fracasso – o que foi definitivamente instaurado quando o alvo das paixões edipianas dos gêmeos faleceu.</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Assim, vemos que o outro título do livro que Machado imaginara, <em>Ab ovo</em>, com suas conotações de “desde o ovo”, desde o começo, desde a origem, também seria muito pertinente por referir-se ao que, efetivamente, é a origem de tudo, ou seja, a fantasia e o desejo parental que antecedem, em muito, a própria concepção de cada ser humano, e como os filhos podem ser estigmatizados pelas projeções meméticas cultivadas pelos pais. Somos imaginados, falados, desejados (ou não), muito antes de existirmos, e algumas vezes essas expectativas podem ser quebradas (ou forçadas a se concretizarem).</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">A saída desta alienação no desejo do outro se dá pela castração simbólica, pela entrada no Édipo, quando o pai joga papel da maior importância, rompendo a relação narcísica especular do filho com a mãe. Já em <strong>Esaú e Jacó</strong>, o narrador nos mostra o pai de forma curiosa. Descreve-lhe uma alegria maior do que a da mãe ao saber da concepção e faz um comentário ambíguo ao associar a gravidez com o nascimento de Isaac da coxa de Abraão. Claro que essa citação refere-se mais imediatamente com a já mencionada espera de 10 anos pela gestação, o que faria os pais “velhos” e com o estabelecimento da aliança entre Deus e Abraão. Mas evoca também o nascimento de Dionísio da coxa de Júpiter, assim como o nascimento de Minerva da cabeça do mesmo deus, figuras mitológicas que caracterizam o pai numa disputa com a mãe pelo papel feminino e maternal na concepção e gestação, ou seja, fora de seu papel masculino, paterno. Posteriormente, o pai é descrito sempre muito ocupado, às voltas com suas grandes finanças, ficando os gêmeos sob o influxo exclusivo da mãe. Na medida em que o pai não exerce a função paterna, Pedro e Paulo não conseguem romper a ligação com a mãe e, quando adultos, fracassam em estabelecer uma relação exogâmica. A relação dos dois com Flora é um tênue disfarce da fixação à mãe, de quem ambos continuavam enamorados. </span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><strong>Esaú e Jacó</strong> poderia ser visto como uma ilustração da importância do desejo dos pais em relação ao psiquismo dos filhos. Ao criá-los como gêmeos, Machado reforça essa imagem, na medida em que a gemelaridade simboliza a divisão interna estrutural do ser humano, a percepção de seu duplo, do inconsciente, a dicotomia existente no profundo da psique humana, e a compreensão de que esse inconsciente é o desejo de outro estranho com o qual mantemos essa relação especular narcísica.</span></span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Publicado em 1904, o ano da morte da mulher Carolina, Machado exibe em <strong>Esaú e Jacó</strong> um distanciamento depressivo com o qual olha a vida já vivida, já sendo impossível deter a corrente do tempo. Dos textos escritos pelo Conselheiro Aires (sendo o outro uma coletânea de impressões que se tornaria o <strong>Memorial de Aires</strong>, última obra produzida por Machado), a história dos gêmeos é uma espécie de aviso e ameaça às famílias, concretizando assim características machadianas que começaram a florescer quando uma de suas personagens mais célebres, Brás Cubas, afirma que não passou adiante o legado de nossa miséria – a miséria humana.</span></p>
<p style="text-indent:35.45pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Em <strong>Esaú e Jacó</strong>, este legado segue e deixa marcas profundas nas vidas dos gêmeos Pedro e Paulo, que desde o ventre foram subjugados a uma sina inexpugnável: as desavenças, e a grandiosidade. E assim termina o romance, ambos privados de Flora e da mãe Natividade, eternamente encerrados no selo de sua própria Nêmese, proferida há tanto tempo atrás pela insegurança da mãe e a profecia da adivinha. <em>Teste David cum Sybilla</em>.</span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[VILA MADALENA - SÃO PAULO - CURSO LIVRE]]></title>
<link>http://pontolacaniano.wordpress.com/?p=546</link>
<pubDate>Thu, 09 Oct 2008 03:39:59 +0000</pubDate>
<dc:creator>Flávia Albuquerque</dc:creator>
<guid>http://pontolacaniano.es.wordpress.com/2008/10/09/vila-madalena-sao-paulo-curso-livre/</guid>
<description><![CDATA[
PELA PRIMEIRA VEZ EM SÃO PAULO
CURSO LIVRE
- PSICANÁLISE: UMA INTRODUÇÃO -
com Flávia Albuquer]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<h1 style="text-align:center;"><span style="color:#ff0000;"><a href="http://pontolacaniano.files.wordpress.com/2008/10/0496652_400.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-547" title="0496652_400" src="http://pontolacaniano.wordpress.com/files/2008/10/0496652_400.jpg" alt="" width="330" height="244" /></a></span></h1>
<h2 style="text-align:center;"><span style="color:#ff0000;">PELA PRIMEIRA VEZ EM SÃO PAULO</span></h2>
<h2 style="text-align:center;">CURSO LIVRE</h2>
<h2 style="text-align:center;">- PSICANÁLISE: UMA INTRODUÇÃO -</h2>
<address><strong>com Flávia Albuquerque - psicanalista</strong></address>
<h2 style="text-align:center;"> </h2>
<h2 style="text-align:center;">01 DE NOVEMBRO DE 2008</h2>
<h2 style="text-align:center;">13:00 às 18:00</h2>
<h2 style="text-align:center;"> </h2>
<h2 style="text-align:center;">ESPAÇO MAGMA NÚCLEO TERAPÊUTICO</h2>
<h2 style="text-align:center;">Rua Aspicuelta, 227</h2>
<h2 style="text-align:center;">Vila Madalena - São Paulo - SP</h2>
<p style="text-align:center;"> </p>
<h2 style="text-align:center;">Até 31 de outubro - R$ 225,00</h2>
<h2 style="text-align:center;">No evento: R$ 250,00</h2>
<h2 style="text-align:center;"> </h2>
<h2 style="text-align:center;">Outras informações:</h2>
<h2 style="text-align:center;">Flávia Albuquerque</h2>
<h2 style="text-align:center;">(21) 9792-8326</h2>
<h2 style="text-align:center;">ou</h2>
<h2 style="text-align:center;"><a href="mailto:flavia@pontolacaniano.com.br">flavia@pontolacaniano.com.br</a></h2>
]]></content:encoded>
</item>

</channel>
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